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Linha Mercedes-Benz Actros sofre mais com a falta de chips

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Foto Jornalista $publicador

Soraia Abreu Pedrozo

09/05/2022

São Paulo – A persistente crise dos semicondutores tende a vitimar com maior intensidade aqueles modelos mais modernos justamente pelo fato de demandarem mais chips. Com o Actros, extrapesado carro-chefe do segmento na Mercedes-Benz, não é diferente. Por ter mais atrativos tecnológicos, alguns deles de série, sofre mais com os atrasos na entrega.

“Ele tem mais componentes eletrônicos do que os outros, mas como esse caminhão compartilha muitos elementos com Europa e Estados Unidos nós geralmente conseguimos ter volume de compras maior e logística unificada", disse Edgar Bertini, gerente de marketing de produto da Mercedes-Benz do Brasil. "O problema é que todo o mundo está sofrendo pelas mesmas coisas”.

Altamente tecnológico o Novo Actros dispõe de avançados recursos de segurança que vêm de série, citou Bertini, por isso acabou mais prejudicado com a falta de chips, devido a funções, por exemplo, como frenagem automática, que identifica riscos de pessoas atravessando fora da faixa, animais na pista e outros veículos que apresentem perigo.

Isso sem contar opcionais como o espelho retrovisor interno, por câmera, que ajuda na ultrapassagem e mostra onde está o fim da carreta, além de auxiliar para estacionar, pois inverte a ordem das telas para oferecer mais precisão na manobra. E o sensor de ponto cego, que emite avisos sonoros também quando o motorista demonstra sinais de cansaço a partir de postura dele atrás do volante.

“Este ano é bem atípico pois, além da questão dos semicondutores, em 2023 teremos a implementação do Euro 6. Não esperamos corrida por caminhões como houve em 2011, último ano do Euro 3, porque a mudança para o Euro 5 foi muito maior, tinha o Arla como novidade. Hoje teremos um refinamento do Euro 5. O aumento do custo em torno de 10% a 20% será o principal motor da antecipação de compras.”

Mesmo assim ele compreende que, diante das dificuldades, a quantidade de oferta para atender à transição da motorização ainda enfrentará incertezas pela frente, a depender do desenrolar da crise global de chips. Recentemente a empresa colocou duas turmas de seiscentos trabalhadores cada em férias coletivas mas, diante da escassez de componentes, concedeu novas férias de quinze dias a 5,6 mil.

Projeções -- Considerando a expectativa da Anfavea para 2022, de venda de 140 mil caminhões 0 KM acima de 6 toneladas, e que cerca de 70 mil deverão ser extrapesados – desde 2012 metade do segmento vem sendo dominado por esse tipo de veículo –, a Mercedes-Benz mira de 25% a 30% desse mercado, ou seja, de 18 mil a 20 mil caminhões, sendo em torno de 6 mil Actros, somada toda a linha. A expectativa é similar ao desempenho de 2021 justamente pela escassez de chips:

“Este ano acabamos não entregando tantos produtos quanto gostaríamos por toda essa questão de semicondutores. Mas, superando as dificuldades de entrega, queremos ser líderes com o Actros”.

Os percalços trazidos pela pandemia fizeram com que a Mercedes-Benz perdesse a liderança do mercado no ano passado para a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Em 2021 a Mercedes-Benz emplacou 33 mil 101 caminhões, alta de 24% sobre as 26 mil 769 unidades de 2020. Com isto a fatia de participação chegou a 27,2%, considerando modelos acima de 6 toneladas. Desse total 15 mil 899 foram caminhões extrapesados.

Custo – Bertini mencionou o valor do modelo topo de linha do Novo Actros, o 2653, R$ 1,1 milhão sem contar o implemento, como fator que ainda assusta um pouco o frotista, mas que na ponta do lápis a empresa mostra o porquê de seu lançamento de 2019 valer, e muito. a pena.

“É um carro de nicho, então não são todos os clientes que o procuram, muitas vezes por achar que podem demorar para pagar o investimento, pois o preço ainda assusta. Mas vemos clara tendência de o mercado migrar para veículos que tenham potência maior e menor consumo de combustível. Principalmente com custo do diesel subindo.”

Em modelos como este, que comporta até 74 toneladas e tem até 26 m de extensão, de 30% a 50% do custo de manutenção é de combustível. O motor 460 desenvolvido em São Bernardo do Campo, SP, no entanto, traz até 12% de economia no 2653 e até 10% dos outros cinco modelos da família, destacou Edgar Bertini.

Por causa da forte potência a velocidade média, dependendo da rota, se for São Paulo-Santos e Interior paulista, por exemplo, chega a 50 km/h. Com isso, segundo ele, a frota pode ser em torno de 10% a 20% menor. E o preço de aquisição se paga de três a cinco anos, garantiu, desde que o cliente faça muitas viagens e rode pelo menos 120 mil quilômetros no ano.